10 - Geração Perdida


Título original: "Antic Hay" (1923)
Autor: Aldous Huxley (1894-1963)
Tradução: Moacyr Werneck de Castro
Capa: Bernardo Marques
Livros do Brasil - Lisboa (s/data publicação)
 
O supremo negativismo da época que sucedeu à primeira Grande Guerra é retratado neste livro, com a agudeza que caracteriza o alto espírito do seu autor. Esse período sombrio que, por fatalidade histórica, parece repetir-se agora, talvez agravado pelas circunstâncias, mereceu do grande escritor inglês a condenação que estas páginas exprimem. "Geração Perdida", feno (hay) molhado, apodrecido, inutilizado. Criaturas que, como Gumbril Júnior, "se interessam por todas as coisas" - o que é a forma de por nada se interessarem, como ironicamente comenta o pai da personagem central deste volume. 
Olhando as ruínas do após-guerra - ruínas morais, bem mais tristes do que as das cidades arrasadas - Huxley sentiu-se possuído de raiva destruidora, numa necessidade de expandir o seu ódio e desprezo por esses entes vazios de de ideal, que se agitavam numa epiléptica fúria de viver. E a sua revolta produziu este livro demolidor - porque as ruínas precisavam de ser demolidas para que surgisse alguma coisa que "valesse a pena". Remover o feno apodrecido, fertilizar o solo tornado sáfaro, para que de novo as colheitas fossem aproveitáveis. Sem se deixar iludir pelas aparências de uma sociedade falsamente requintada, falsamente artista e até falsamente incrédula, preconizou com coragem a extirpação dos não-valores. Audacioso até à temeridade, lançou este livro negativista - mas também, e apesar de tudo - salutarmente construtivo.
A Colecção Dois Mundos enriquece-se com este volume notável sob todos os aspectos.

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